
Mal eu subo no palco, um mala, um maluco já grita de lá: toca Raul! / a vontade que me dá / é de mandar o cara tomar naquele lugar / mas aí eu paro, penso e reflito / como é poderoso esse Raulzito / puxa vida, esse cara é mesmo um mito”. Retratado na canção “Toca Raul”, lançada pelo maranhense Zeca Baleiro há dois anos, o famoso grito parece perseguir músicos de todos os gêneros até hoje, 20 anos depois da morte de Raul Seixas. Será uma tradição do público brasileiro ou uma maldição deixada como herança do roqueiro baiano? Na tentativa de descobrir a resposta, o G1 falou com alguns especialistas na obra do Maluco Beleza
“Raul Seixas morreu ignorado, sozinho. A gente brinca que essa foi a maldição que ele deixou”, diz Tico Santa Cruz, que empresta voz à narração do audiobook “O baú do Raul revirado”. “É melhor perguntar se existe algum show em que ninguém grite. Quando começam a pedir, a gente toca as músicas dele”, conta o vocalista do Detonautas, que tem uma banda paralela batizada de Tico Santa Cruz e o Rebu, em homenagem ao álbum de Raulzito. “Ninguém pode afirmar com segurança de onde veio esse ‘Toca Raul’, mas que virou uma mania nacional, isso virou”, comenta Sylvio Passos, presidente do Raul Rock Club e considerado uma autoridade no assunto. “De shows com estrelas internacionais, passando por rodinhas de violão, barzinhos, casas noturnas, salão de festas... Sempre tem alguém que grita. Acho natural músicos e artistas se irritarem com isso. Outros acham graça. Eu, pessoalmente, acho muito bom, embora eu nunca tenha cometido essa indelicadeza em locais que nada têm a ver com o universo de Raul Seixas
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